A raiva, quando refletida, não é ilícita

Cristo condena a raiva irrefletida como uma violação dessa lei, dando-nos a entender que a raiva refletida não é ilícita. A verdade é que nenhuma raiva é [em si mesma] pecaminosa, pois Cristo ficou várias vezes com raiva com os judeus (Mt. 3.5), e o apóstolo nos propõe que ‘quando […] ficarmos irados, não pequemos’ (Ef. 4.26).

Se aqui alguém perguntar como conseguimos discernir entre a raiva piedosa e a raiva má e irrefletida, respondo de dois modos: primeiro, pelo começo [ou origem] da raiva, pois a raiva boa procede do amor àquele de quem estamos com raiva. Bem, o amor é o cumprimento da lei e, por isso, a raiva procedente do amor e guiado por Ele não pode ser uma violação da lei, mas a raiva má procede do egoísmo, do desamor ou da raiva pela parte de quem sentimos raiva. A raiva boa é para a glória de Deus e contra o pecado, pois Deus é desonrado por este, e para o bem dos nossos irmãos; mas a raiva má não tem esses fins e pretende apreços privados. Ela se manifesta com rapidez e permanece por muito tempo; além de carregar um desejo de vingança.

Autor: William Perkins
Fonte: As Obras de William Perkins, vol. 1, pg. 360, 361, Editora PES

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