EM QUE CREMOS

Este é um pequeno trecho do livro O Bem-Aventurado Senhor dos Senhores Jesus Cristo, e descreve os distintivos da Igreja Puritana Reformada no Brasil na forma de uma pequena exposição:

1. Cremos e defendemos, pela fé, conforme as Escrituras, que o batismo é uma ordenança de Cristo, e nossa entrada visível na Igreja de Deus – ele é o sinal do sangue do Cordeiro de Deus e o selo de nossa aliança nEle; sangue precioso pelo qual fomos purificados e obtivemos remissão de todos nossos pecados (o que está expresso em Marcos 1:4 e Atos 22:16). Como correta figura da purificação, o modo de ministrar o batismo é por aspersão de água (como vemos em Atos 9:18, 16:33 e 1 Coríntios 10:2), em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (conforme Mateus 28:19,20 e Atos 8:38). Devem ser batizados não só os que professarem sua fé e demonstrarem a sua submissão a Cristo, mas também os filhos que possuírem um ou ambos pais crentes (Atos 2:39, 16:15).

2. Cremos que só existem dois sacramentos na Igreja, o batismo conforme descrito acima e a Ceia do Senhor (o que aprendemos de Mateus 23:19 e Mateus 26:26-28). Na Ceia do Senhor a morte de Seu corpo e o derramamento de Seu sangue são sinalizados no pão compartilhado e no vinho que os crentes recebem. Deve-se fazê-lo em santidade e temor pois pelo poder, misericórdia e benignidade, a graça do nosso Senhor, através do sacramento, nos chega, alimenta e preserva nossas almas, por meio da fé. Contudo isto não se deve ao sacramento em si, mas ao vero meio de graça que é a Palavra, a qual habita no cristão pela leitura da Escritura e por ouvir a pregação, e da qual provém a fé. Pela Palavra e pela fé o sacramento toma significado, e faz-nos participantes do Corpo de Cristo em todas as bênçãos que aí há.

3. Cremos que o ser humano é formado de corpo e alma, a qual é também espírito, segundo o que é, tecnicamente, chamado dicotomia (sobre isto é proveitoso comparar-se Gênesis 35:18 e Salmo 31:5). O ensino das Escrituras é de que somos tanto corpo quanto espírito, ou seja, que, pelo corpo, interagimos com o ambiente físico e gozamos a criação material, e pela alma ou espírito, abrigamos nossas emoções e mente – portanto, a união de ambos é necessária para plena função da vida humana. A alma é eterna, (segundo o escrito em Mateus 10:28), e permanece viva para sempre em tormento ou em gozo e paz. Crendo em Cristo, aguardamos a vida eterna em gozo e paz, assim como a redenção de nosso corpo na futura ressurreição (conforme João 5:28,29 e I Coríntios 15:51-52).

4. Cremos que todo homem, segundo o estado natural em que nasce, é escravo do pecado e ama as trevas em que vive, e, se Deus não o remover desse império das trevas (pela ação regeneradora, soberana, do Espírito Santo), tal homem caminhará em pecados para o inferno e sofrerá por toda a eternidade (aprendemos isto em João 3:3-21, Jeremias 17.9, 1 João 1.8-10 e Romanos 3:23,7:10).

Todos aquele que nasce do Espírito de Deus (ou seja, que é convertidos de seu mau caminho à fé em Cristo) foi regenerado pela Graça Soberana de Deus (e nada fez de si mesmo); ele recebeu de Deus um novo coração capaz de responder ao Evangelho com fé e arrependimento para vida – coisa que, em seu estado natural, todo homem é incapaz de fazer. O homem, uma vez regenerado por Deus, amará ao Senhor Jesus Cristo por toda eternidade – pois é habitado e selado pelo Espírito Santo de Deus, segundo a firme promessa do Evangelho. Deus mesmo os tem escolhido para tal, eleitos para a salvação, desde antes da fundação do mundo (como podemos ler em Efésios 1:4,5 e Romanos capítulos 8 e 9).

Os eleitos jamais se perderão; antes, Deus mesmo os preservará e andarão retamente diante do Senhor por toda a vida. Reconhecemos que, momentaneamente, por fraqueza da carne, o eleito pode pecar; porém, ainda que cometa tal ofensa contra nosso Senhor, jamais permanecerá impenitente e, com amargo e profundo arrependimento, retornará a mortificar sua natureza maligna, pelo Espírito de Deus e crescerá novamente em santificação até o dia final quando se apresentará diante de nosso Senhor como mero servo inútil que somente cumpriu o seu dever (o afirmamos com base em João 6.35-40, Romanos 8.31-39, Filipenses 1.6, 2 Tessalonicenses 2.14-19 e Hebreus 9.11-15).

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