Catecismo de Heildelberg – Dia do Senhor 6

(Pergunta 18)
Mas, que Mediador é esse que é, ao mesmo tempo, Deus verdadeiro e homem verdadeiro e justo?
Resposta – O nosso Senhor Jesus Cristo,“o qual se nos tornou, da parte de Deus,  sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção” [1 Coríntios 1.30].
(Pergunta 19)
Como você sabe disso?
Resposta – Pelo Santo Evangelho, revelado pela primeira vez no Paraíso pelo  próprio Deus. O qual o fez proclamar depois pelos patriarcas e profetas, e prefigurar, como sombras, pelos sacrifícios e  outras cerimônias da lei. Fazendo-o, por fim, ser cumprido por meio do Seu único Filho.
EXPOSIÇÃO
Esta pergunta corresponde-se com a Terceira pergunta do Catecismo de  Heildelberg, onde se pergunta: Como você conhece sua miséria? Pela Lei de Deus. Desta forma aqui, na  Décima-nona pergunta, está escrito: Como você conhece sua libertação? Pelo Evangelho. Havendo,  portanto, falado do Mediador, nós necessitamos falar agora da doutrina que revela, descreve e oferece este Mediador à nós  — doutrina esta que é o Evangelho. Após falar do Evangelho, devemos, em seguida, falar a respeito da maneira como  somos feitos participantes do Mediador e de suas bençãos — que épela fé.
Primeiro, então, nós devemos falar do Evangelho, o qual é. com grande  propriedade, feito para seguir a doutrina do Mediador, e da Aliança:
1º- Porque o Mediador é o sujeito do Evangelho, o qual ensina quem e qual tipo de Mediador ele é.
2º – Porque ele é o autor do Evangelho. É parte do ofício do Mediador revelar o Evangelho, como se diz: “O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.”  [João 1:18].
3º – Porque o Evangelho é parte da Aliança; e é sempre tomado como sendo ele, a Nova Aliança.
As principais questões a serem discutidas, neste contexto, em relação ao Evangelho, são:
1. O que é o Evangelho?
2. É o Evangelho uma Nova Doutrina?
3. Em  que se diferencia o Evangelho da Lei?
4. Quais são seus efeitos?
5. De onde vemos que o Evangelho é Verdadeiro?
I. O que é o Evangelho?
O termo “Evangelho”  significa:
1. Uma mensagem de alegria, ou uma boa notícia.
2. O sacrifício que é oferecido a Deus por essa boa notícia.
3. A recompensa que é dada àquele que anuncia essa notícia maravilhosa.
No Catecismo de Heidelberg usualmente significa: a doutrina ou alegre notícia de Cristo manifestado na carne, como em “eis que eu trago-vos a boa nova de grande alegria, para vós nasceu hoje, na cidade de David, um Salvador, que é Cristo, o Senhor” [Lucas 2:10, 11].
As palavras epaggelia e euanggelia tem significados um pouco diferentes. A primeira evoca a promessa de um mediador que estava para vir; a segunda é o anúncio de um mediador que já veio. Essa distinção, contudo, nem sempre é observada; e está mais nas palavras do que coisa em si; pois ambas designam os mesmos benefícios trazidos pelo Messias, de modo que a distinção esta apenas na circunstância do tempo, e na forma do seu aparecimento, como é evidente, das seguintes declarações da Escritura:
“Abraão viu o meu dia, e regozijou-se.”; “Ninguém vem ao Pai senão por mim.” “Eu sou a porta, se alguém por mim entrar…”; “e sobre todas as coisas o constituiu cabeça da Igreja” “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e eternamente.” [João 8: 56;14: 6;10: 7; Efésios1:22; Hebreus 13:8….]
O evangelho é, portanto, a doutrina que o Filho de Deus, nosso Mediador, revelou do céu no Paraíso, imediatamente após a Queda, e que ele trouxe do seio do Pai Eterno; e que promete, e anuncia, em vista da livre Graça e Misericórdia de Deus, a todos aqueles que se arrependem e crêem, a libertação do pecado, da morte, da condenação e da ira de Deus; que é a mesma coisa que dizer que ela promete e anuncia a remissão dos pecados, salvação, e a vida eterna, através e por causa do Filho de Deus, o Mediador; e é através disto que o Espírito Santo opera eficazmente nos corações dos fiéis, acendendo e excitante neles arrependimento, fé, e o começo da vida eterna.
Ou, nós podemos, em conformidade com as questões XVIII, XIX e XX do Catecismo, definir que o evangelho seja a doutrina que Deus revelou primeiro no Paraíso, e depois publicou pelos Patriarcas e Profetas, a qual Se agradou Ele em representar pelas sombras dos sacrifícios e das outras cerimônias da Lei, e que Ele cumpriu através de Seu Filho Unigênito; ensinando que o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, é feito para nós sabedoria, retidão, santificação e redenção; que é o mesmo que dizer que Ele é um Mediador perfeito, expiando pelos pecados da raça humana, restaurando a retidão e a vida eterna a todos aqueles que por uma verdadeira fé são enxertados nEle, e abraçam Seus benefícios.
As seguintes passagens das Escrituras confirmam esta definição que demos do evangelho:
1. “Esta é a vontade daquele que me enviou: que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei até ao último dia.”; “E que o arrependimento e a remissão dos pecados deve ser pregado em seu nome, entre todas as nações, começando por Jerusalém.”; “A lei foi dada por Moisés, a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” [João 6: 41; Lucas 24: 47; João1:17]
O texto acima provém da exposição de Zacarias Ursinus sobre a questão 19 no seu “Commentary on the Heidelberg Catechism,” pp. 101-106 ( G.W. Williard, Columbus OH, 1852; reprinted by P & R).